• Vivian Lika Hashimoto

Superando as adversidades - Como desenvolver o autocontrole ou qqr outro comportamento em um cão

Em nosso processo evolutivo como um indivíduo que vive em sociedade num mundão conhecido por Terra, deparamo-nos com uma vasta diversidade de culturas, paisagens, etnias, opiniões etc. Dentro desse cenário de múltiplas possibilidades, todos os humanos buscam seu lugar ao sol e uma vida confortável. A propósito, quase todas as melhorias tecnológicas foram desenvolvidas afim de proporcionar maior comodidade para o nosso dia a dia, ou seja, mais conforto.


Portanto, podemos concluir do parágrafo anterior que a evolução da humanidade está associada à busca pelo conforto; à melhoria pessoal como um individuo; ao upgrade como um todo. Dito isto, podemos concluir também que, o que motivou o desenvolvimento pessoal e dessas tecnologias foram os desconfortos anteriores; As pessoas precisaram superar adversidades para serem / estarem melhores.


E o que isso tem a ver com cachorro?


Tudo a ver, caro leitor. Toda essa introdução foi desenvolvida para mostrar como o desconforto ou estar fora da zona de conforto é importante para o processo de evolução em geral e essa analogia é perfeitamente aplicável ao treinamento canino. Todos os cães, em boas condições de saúde, têm capacidade para desenvolver (em maior ou menor grau) resiliência, obediência, autocontrole, tranquilidade e todos os demais atributos desejáveis. Só é preciso treiná-los…




O foco do nosso trabalho como comportamentalistas canino é resgatar a natureza e equilíbrio dos cães harmonizando sua relação com as respectivas famílias. Nós sabemos e acreditamos que todos os cães, até aqueles considerados “casos perdidos” são capazes de levar uma vida tranquila e serena. Mas, para que isso aconteça, é preciso trabalhar (muito) os cães e seus respectivos humanos, pois é a família que precisará lidar com o cachorro pelo resto de sua vida.


Antes de iniciarmos qualquer trabalho de modelagem comportamental precisamos ter em mente que o comportamento que já está ruim ainda pode piorar (rs). Isso acontece devido ao fenômeno conhecido por extinction burst (a explosão da extinção em tradução livre) caracterizado por um tipo de ultimato ou extrapolação do comportamento ruim na tentativa de obter o que se exige. Por exemplo, um cão que aprendeu que latindo consegue o que quer e às vezes até mais rápido (atenção, alimento, carinho etc). Quando esse mesmo cão se sentir ignorado, ele irá se esforçar mais nas suas investidas de modo que os latidos também poderão vir acompanhados de pulos, mordidas, patadas e afins, afinal de contas, ele sempre conseguiu as coisas do jeito dele… e se o humano não está lhe satisfazendo, ele precisa se esforçar mais para obtê-las, portanto, latir mais!


Tendo isso em mente, partimos para o trabalho de modelagem comportamental propriamente dito. Para se trabalhar comportamentos como agitação, medo, insegurança, agressividade e reatividade nos cães, é preciso, primeiramente, ensiná-los a terem um comportamento alternativo e desejável para cada situação mencionada. Trocando em miúdos: antes de trabalhar cada comportamento mencionado anteriormente, é preciso ensiná-los a se comportarem da forma correta / desejável, ou seja, é preciso ensinar ao cão a ficar calmo ou se aquietar (fazer place, se deitar ou ficar parado ou focado em algo) antes de expô-lo às situações que normalmente lhe causam estresse.


Uma vez que o cachorro compreendeu o comando (se deitar, ir para o place, etc) passamos a treinar esse comando com regularidade para que a execução se torne mais natural e, quando aplicável, o cão associe o comando a um estado mental mais tranquilo (por exemplo: place = ficar tranquilo). Com o cachorro preparado (sabendo executar o comportamento alternativo desejável - place, se deitar, ficar parado ou focado em algo) começamos a apresentar os estímulos estressantes gradativamente para que ele desenvolva tolerância.

Para concluir, faz-se necessário frisar a ponderação na hora de apresentar os estímulos aversivos para o cão. Não há necessidade de estourarmos um rojão ou caminharmos por uma avenida super movimentada para ensinar ao cão a se manter sereno ou focado sem ter medo dos estímulos. Precisamos trabalhar no limite da tolerância do cachorro, deixando-o desconfortável mas sempre o orientando e lhe mostrando que é capaz de superar suas dificuldades.

A seguir, mostramos alguns vídeos tutoriais e de exercícios de autocontrole que realizamos no Dog Harmony:


Introdução ao place:


Na maioria das vezes, nós optamos por treinos passivos como o place com duração para construirmos o comportamento alternativo desejável, neste caso um cão calmo e que sabe existir sem precisar interagir com o ambiente. No vídeo a seguir nós ensinamos como introduzir o exercício do place para um cão.



Treino de autocontrole:


Uma vez que o cão compreendeu o que é place, partimos para o treino de autocontrole em que mantemos o cão no place enquanto lhe apresentamos os estímulos que lhe causam desconforto de forma gradual e controlada. Sempre que o cão tentar fugir nós o reconduzimos de volta para o place e o exercício só termina quando ele se mostrar tolerante ao estímulo que antes lhe causava aflição.


Nos vídeos a seguir mostramos como utilizamos o place para trabalhar a ansiedade na presença de outros cães e o medo de barulhos da Gaia:






E-collar e treino de autocontrole:


Uma outra forma de se trabalhar o autocontrole dos cães no place é através do uso da E-collar ou coleira eletrônica. Para tanto, o cachorro precisa compreender o significado do estímulo (ou pressão) da E-collar e associá-la ao comando pedido. No vídeo a seguir nós mostramos como utilizamos a coleira eletrônica para trabalhar o autocontrole de uma uma buldogue francês com drive de caça (instinto de caça) alto que avança em skates.




Superando o medo de altura:


Neste próximo vídeo, nós trabalhamos o medo de altura da Gaia com um exercício em que a incentivamos a subir e a caminhar sobre uma mureta. Além de trabalhar o medo de altura, esse exercício também aumenta a autoestima do cachorro e a sua confiança na pessoa que a conduz:


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